BLOG DO ALEX MEDEIROS

14/02/2019
O Dia de São Valentin

A lenda mais conhecida ou a teoria mais reconhecida historicamente sobre a origem do Valentine's Day, o tradicional Dia dos Namorados que se celebrou ontem, dia 14, por todo o mundo, não tem um final feliz, ao contrário do que se imagina e do que se supõe para uma data dedicada ao amor e às paixões.

É uma história de perseguição, torturas e morte, ocorrida na Roma do século III, quando o cristianismo se expandia rapidamente pelo Império Romano, sem que o poder estabelecido nada pudesse fazer para impedir. Governava, o imperador Claudio II, o Gótico, que proibiu o casamento dos seus soldados.

Numa época de conjunturas políticas repletas de instabilidade, o reinado de Claudio II foi breve como muitos outros, que enfrentaram uma série de problemas, como invasão de bárbaros, epidemias de varíola e outras pestes. Por isso, o governo queria todos os soldados comprometidos só com as lutas.

Acreditando que os homens solteiros eram mais valentes e dispostos, exatamente por não estarem presos emocionalmente a suas famílias, o imperador combateu o matrimônio, provocando alvoroço e desgosto nos jovens. Nesse contexto surge a figura de Valentim, bispo da província de Terni.

Diante da proibição de Gótico ao casamento, o sacerdote decide se rebelar e clandestinamente começa a realizar a união de jovens soldados com suas namoradas, em ritos que seguiam os novos preceitos da doutrina cristã. Muitos solteiros foram a ele convencidos de que não deviam atender ao imperador.

O prestígio do bispo de Terni aumentou em Roma e chamou a atenção e a indignação de Claudio II, que o mandou chamar em palácio para conhecê-lo. Valentin não só aceitou o convite como aproveitou para propagar a fé cristã e tentar doutrinar o soberano, chamando-o para seguir os preceitos de Jesus.

O sacerdote do amor conseguiu convencer o mandatário de Roma, que dias depois mudou de opinião, pressionado e influenciado por líderes políticos e militares que logo impuseram uma ação imediata de combate às solenidades matrimoniais sob a ótica do cristianismo, ainda refutado pelas elites romanas.

Um oficial do exército romano chamado Astérius (homônimo do rei de Creta) começou a perseguição a Valentin com táticas não ortodoxas, tentando primeiramente expô-lo ao ridículo, sem sequer o escrúpulo de usar a própria filha, Júlia, que nascera cega. Mandou o religioso curá-la diante do povo.

Diz a lenda que o milagre operado em nome de Cristo converteu o militar e toda a sua família ao cristianismo. Mas as consequências daquilo seriam terríveis para Valentin, que após um período de ensinamentos a Júlia, apaixonou-se pela aluna, o que gerou sua prisão e uma condenação à morte.

Martirizado na masmorra, depois foi executado por decapitação no dia 14 de fevereiro de 269. Na véspera da execução, enviou uma carta à sua amada e concluiu com "do seu Valentim", termo que pelos séculos seguintes tornou-se tradição nos bilhetes, cartas, poemas e nas atuais postagens dos amantes.