BLOG DO ALEX MEDEIROS

19/02/2019
As lindas fotos de Linda

Nesta segunda-feira, 18, foi o aniversário de Yoko Ono. 82 anos e uma das artistas mais ricas do mundo. Nunca admirei a mulher de John Lennon como artista, apenas como gerente-geral de um marido que de tão apaixonado se tornou manicaca. Yoko foi, junto com Pearl Harbor, dois grandes atentados japoneses ao Ocidente.

Os Beatles foram bombardeados pela pequena nipônica a partir de 1966, quando ela penetrou no grupo, mudando as opiniões de John, acabando seu casamento com Cynthia, a namorada de adolescência, e dando tantos pitacos nos estúdios, irritando diversas vezes George Harrison e Paul McCartney.

Dito isto, dou um salto no nariz de cera de Yoko e entrou no assunto central do artigo: a primeira mulher de Paul McCartney, a americana Linda Louise Eastman, que conheceu em 1967, durante um show do inglês Georgie Fame que ela foi fotografar para a revista Rolling Stone. Foi amor à primeira vista.

Linda não era apenas uma fotógrafa a serviço de um órgão de imprensa, mas naqueles anos de reboliço cultural foi a única profissional com acesso a um evento promocional dos Rolling Stones no Rio Hudson e autora da primeira foto de Eric Clapton na capa da revista que é hoje sinônimo de história do rock.

Se o namoro com Paul começou no período em que os Beatles lançavam o revolucionário álbum Sgt Peppers, o casamento aconteceu quase dois anos depois quando a banda estava fazendo o disco Abbey Road, o último gravado antes da dissolução dos quatro (o último foi Let it Be, com eles já separados).

Linda McCartney manteve sua profissão após o casamento, aprendeu a tocar teclado e aguçou o talento para compor. Antes de participar da banda Wings, que formou com o marido, rejeitou proposta de participar do grupo The Smiths, considerada uma das mais importantes do rock produzido nos anos 1980.

Ao lado de Paul, formou a banda Wings e foi coautora de diversos sucessos, alguns atingindo as primeiras posições nas paradas americanas e britânicas, como a Billboard e a Dutch Top. Mas o grande legado artístico de Linda McCartney foi realmente suas fotografias no ambiente pop dos anos 1960/70.

Fotos das viagens a Londres, em pautas da revista Rolling Stone cobrindo a explosão do "Swinging Sixties", a revolução cultural ocorrida na capital inglesa a partir das bandas e estrelas de um rock em releitura às matrizes americanas do folk, blues, rockabilly, boogie woogie, country e gospel, entre outros.

Seus trabalhos ajudaram a popularizar as imagens de ícones como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Eric Clapton, Bob Dylan, The Who, Neil Young, Aretha Franklin, Simon and Garfunkel, The Doors e, obviamente, os Beatles, que entre tantos hinos ao amor têm o clássico "My Love", que McCartney fez para ela.

E fez mais. São canções inspiradas em Linda "Maybe I'm Amazed", "The Long and Winding Road", "I am Your Singer", "Silly Love Songs" e "Lovely Linda". Outro legado está no pioneirismo da defesa dos animais, sendo uma das principais celebridades a contribuir para a criação da PETA, a famosa ONG hoje atuante no mundo inteiro.

Certa vez John Lennon se referiu a Linda McCartney como uma "fã chata e de meia-idade dos Beatles", um triste comentário de quem talvez estivesse cuspindo o próprio recalque de uma experiência íntima. Enquanto sua mulher contribuiu para destruir uma banda, a mulher de Paul o ajudou a criar outra.