BLOG DO ALEX MEDEIROS

25/02/2019
Foi ao contrário, estúpido!

Por mais sonolenta que seja todos os anos, num incrível paradoxo quando vemos os índices de audiência mundial, a festa do Oscar do último domingo não foi como a maioria da mídia vem repercutindo, num claro e visível equívoco que se não foi por cegueira na leitura, foi por premeditação na escrita.

Pra começo de conversa podem parar com esse papo engajadinho de "o Oscar da diversidade". Porque isso foi o de menos. Favor não botar a maioria da população nessa classificação. As mulheres deram o tom do empoderamento que sempre tiveram, facilmente distinguido no show de tons rosa e lilás. Louvada seja Julia Roberts!

Os dois grandes prêmios da noite, melhor diretor e melhor filme, não foram bem assim propostas dramáticas com rasgos ideológicos da velha esquerda mimizenta desses tempos de redes sociais histriônicas. Jornais americanos como USA Today e The New York Times escracharam Cuarón e Green Book.

O primeiro, diário mais vendido do país, só faltou utilizar o termo "reacionário" para adjetivar a narrativa do diretor mexicano, acusado de disfarçar o protagonismo da doméstica Cleo para, "na verdade", descrever a realidade da classe média alta num México onde menos de 2% ascenderam à universidade.

A crítica do USA Today foi anterior à premiação de Alfonso Cuarón e suas outras duas estatuetas, para filme estrangeiro e fotografia. O NYT e outros, como Boston Globe, reverberaram pelo mundo suas insatisfações com a vitória de Green Book, "um filme com temática racial feito por homens brancos".

Vender a ideia de "Oscar da diversidade" é mais um truque midiático para o jornalismo gauche iludir incautos a acreditarem que vivemos uma revolução de pseudominorias. Escondem até a grande decepção do escatológico A Favorita, com apenas um prêmio, graças unicamente ao talento de Olívia Colman.

A consagração do filme Pantera Negra, por exemplo, que foi na verdade o grande representante do teor político da festa, já que se trata de uma obra sobre personagens negros, ganhou repercussão como a vitória de um serviço de streaming, um novo inimigo do cinema clássico refutado por cineastas.

Por fim, a esperada exaltação do ator Rami Malek e do filme Bohemian Rhapsody, com 4 estatuetas, foi tão somente a glorificação de um ídolo pop há décadas cultuado por milhões de fãs. E os prêmios de Nasce uma Estrela e de Lady Gaga confirma o êxito secular do amor entre um homem e uma mulher.

Não perceber tudo isso é ser "favorita" ao fresco militante do ano.