BLOG DO ALEX MEDEIROS

06/03/2019
De quem é a escatologia?

Na tarde do dia 27 de julho de 2013, quando a igreja católica promovia no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude, um encontro de jovens cristãos com o Papa Francisco, um grupo de feministas lgbt realizou a "marcha das vadias" usando imagens religiosas em atos obscenos, tipo crucifixo no ânus.

Muita gente gravou o ato dantesco e disparou pelos celulares para as redes sociais. As cenas de impura provocação aos católicos viralizaram na internet, gerando críticas de entidades religiosas e debates na mídia. Os movimentos e partidos de esquerda contemporizaram e evitaram criticar as tais vadias.

Quatro anos depois, milhares de internautas, de esquerda e de direita, postaram em setembro de 2017 as imagens (e comentários) de um artista nu no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. O ponto de discórdia nas duas visões ideológicas das críticas foi uma criança tocando o corpo do homem.

Os militantes conservadores acusaram a exposição de pedofilia, os chamados revolucionários argumentaram em favor da liberdade de expressão artística, autoridades judiciárias tiveram posicionamentos distintos, alguns achando atentado ao pudor e outros classificando tudo como uma grande histeria.

Nas redes sociais, principalmente o Twitter e o Facebook, a performance do artista com a criança tocando seu corpo nu circulou por semanas. Museus decidiram cancelar a exposição, mas evitando emitir juízo de valor. Jornalistas comentaram, muitos estimulando um debate sobre censura e liberdade.

Dois anos se passaram, entramos em 2019 e os movimentos e partidos de esquerda retomaram uma velha prática já tradicional, utilizando o carnaval como meio e mensagem dos seus interesses políticos. Esmagados nas urnas de outubro de 2018, lambendo as feridas, trataram de cair no divã da folia.

Com apoio da imprensa engajada, a esquerda e o PT com sua pauta "Lula livre" penetraram nos blocos, nas ruas e foram buscar a manifestação perdida. Se esbaldaram de frevo, samba, marchinhas e substâncias estimulantes, tendo na ponta da língua as palavras de ordem para reverberar nas massas.

Alguns jornalistas estrelados chegaram a dar relevância de teor histórico ao que é banal há mais de um século. Como se Jair Bolsonaro fosse o primeiro político de Pindorama a receber críticas no ambiente festivo de Momo. O gozo histérico veio então na terça-feira, quando o presidente postou um vídeo.

Militantes tresloucados do movimento gay promovendo as mais escatológicas e deprimentes cenas de putaria. Mais um delírio que estamos acostumados a ver sendo vendido como direito de expressão, liberdades individuais ou ato político das chamadas minorias sexuais. O vídeo bateu no queixo das vestais da mídia.

Houvesse sido postado por qualquer pessoa, eu, você leitor, a mãe do Papa ou o pai da Madre Teresa não haveria tanto discurso irado. Mas foi o presidente. E eu digo ainda bem que foi ele. Foi preciso Bolsonaro expor a escatologia militante para que a esquerda e a velha mídia também entendessem como tal.

Merval Pereira, Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Leilane Neubarth, Ricardo Noblat, Reinaldo Azevedo, todos refutando as imagens, chamando de degradação moral. Duvido que dissessem o mesmo se não fosse o oportunismo político que perceberam bem tático para criticar o presidente.

Não quero crer premeditação na postagem de Bolsonaro, posto que nem mesmo o mais inteligente general do seu governo seria capaz de tamanho maquiavelismo. Mas foi graças a ele que a esquerda e a mídia reconheceram escatologia e degradação numa manifestação que comumente eles aplaudem.