BLOG DO ALEX MEDEIROS

20/03/2019
A televisão moribunda

O gigante Google tem todas as ferramentas para controlar uma rede de televisão ou de jornal, duas coisas que por décadas resguardaram sob a superfície da comunicação um profundo poder lucrativo nos negócios da propaganda. Mas o site de buscas preferiu investir na indústria dos games.

A marca vai investir num setor que está bem à frente da TV, do rádio e do jornal, que lidera em crescimento e faturamento os negócios do mercado de entretenimento nos EUA. Ao lado dos serviços de streaming, os games já dominam mais de 35% dos aparelhos de TV nos lares norte-americanos.

Quando a Amazon, outro gigante, comprou o outrora poderoso jornal The Washington Post, se imaginou que se estabeleceria uma corrida do mundo digital em busca do controle do velho universo analógico e de celuloide. Mas ao que parece é que o comportamento das atuais gerações anulou o assédio.

Há poucos dias noticiou-se a incrível realidade do mercado editorial em mais de 1,4 mil cidades americanas, que simplesmente perderam seus jornais impressos, a maioria deixando de circular e outra parte partindo para a opção digital, disputando mercado com zilhões de sites, blogueiros e youtubers.

A mídia como nós conhecemos no século XX vai se tornando literal e tecnicamente coisa do passado. A crise que desde os anos 90 atingiu a televisão aberta, hoje já chegou também nas TVs por assinatura, superadas nos PCs e celulares por atrações como a Netflix, YouTube, Prime Vídeo...

Outro fator preponderante para o esvaziamento da audiência televisiva é, sem dúvida, a indústria dos jogos eletrônicos, que agora chamou de uma vez a atenção do Google. Em países como os EUA, Japão, Coreia e Índia, os games já ultrapassaram a TV e o cinema no quesito preferência dos consumidores.

O Brasil talvez seja hoje o mercado onde é mais visível a decadência das televisões abertas, não apenas no tocante à qualidade da programação, mas também na audiência. Ficaram esquecidos no século passado aqueles índices do Ibope acima dos 50, 60, até 70 pontos. Agora mal se atinge dois dígitos.

Um exemplo foi no último sábado, quando o SBT comemorou a ultrapassagem em cima da Globo com a estreia do programa da adolescente Maísa, que registrou risíveis 9 pontos, mas o suficiente para vencer os 8,7 pontos da outrora poderosa dona da audiência. Atingir hoje mais de 30% é milagre.

Se nos países desenvolvidos a ameaça vem das novas tecnologias dos games e dos serviços de streaming, aqui ainda há a ousadia recente das emissoras de rádio, que fizeram da internet um braço de apoio a suas programações.

Após trocarem o sinal AM por FM, as rádios caíram nas redes, instalaram câmeras e agora também roubam o público das TVs.