BLOG DO ALEX MEDEIROS

04/04/2019
Futebol é um espetáculo

Já disse algumas vezes que o futebol tem muita arte e emoção para ser apenas um jogo, uma disputa desportiva. Curto o esporte bretão de cabo a rabo do calendário, ou seja, de janeiro a dezembro. E devo a ele uma alegria maior durante junho.

Porque sou um nordestino que não tolera festejo junino, que tem repulsa pela chatice das quadrilhas e sua breguice de figurino, sem contar as musiquinhas bestas que ao longo das décadas foram adotadas na festa e que teimam em chamar de forró.

Junho é o mês em que os deuses do futebol intercedem por gente como eu. Para contrabalançar a baboseira em nome de um santo católico, fizeram os organizadores criarem a Copa do Mundo, a Eurocopa, a Copa América e até um torneio de mulheres. Não fosse a bola rolando, eu teria depressão com balões subindo.

E se enquanto a fogueira queima, a bola se apaga nos gramados das férias nos nossos campeonatos, junho ainda me dá alegrias com as ligas europeias em plena atividade. E lá estão os craques do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, do Chile, os africanos e, claro, os nativos europeus.

Lá também estão os estádios lotados, onde não se ouve os grunhidos e palavrões das "organizadas", onde nossos ouvidos não servem de pinico a receber as musiquinhas ridículas do tipo "ah, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor"... argh!

Nem há o tal nivelamento por baixo, que faz do Brasileirão uma espécie de "série B" do campeonato japonês. Nas ligas europeias, o time líder lidera por ser bom e não pelos demais serem um desastre. Em Portugal, imagine, o Botafogo lutaria para não ser rebaixado.

Galvão Bueno e seus satélites tentam fazer o povo acreditar que o futebol brasileiro está bem na foto. Para evitar que os pachecos tomem consciência da mediocridade, alimentam o ódio contra a Argentina e sua seca de títulos. Não encaram a realidade de uma bolinha que murchou em 2003 com a seleção e há quase meio século não enche nos nossos clubes.

Quem se conforma com pouco, quem vê civismo no futebol, que fique com as peladas em gramados tupiniquins. O lado afetivo do torcedor impede que desperte para o desastre do seu time, e não há nenhum time brasileiro em condições de despertar a empolgação que se vê na Europa.

A ilusão de ganhar um mísero campeonato estadual cega a realidade de uma mediocridade que a cada Libertadores fica mais visível. Qual a importância de ganhar um Carioca, um Paulistão, um Gauchão, um Mineiro, um Potiguar? É só futebol para consumo interno, fútil como trocar uma Coca-Cola por uma Tubaína. Já faz quase 40 anos que o Flamengo não ganha uma Libertadores. Lembra a velha frase de que o nosso ABC não passa da corrente.