BLOG DO ALEX MEDEIROS

02/05/2019
Favelas do Brasil, de Carlos Soares

O natalense Carlos Soares, um dos grandes nomes das artes plásticas no Nordeste, está novamente participando de um concurso internacional em galerias europeias. A tela que enviou para o certame é "Favelas do Brasil", na foto acima.
Abaixo, o texto de apresentação que fiz para o quadro desse artista especial e um irmão que a vida me deu desde 1972, ano em que iniciamos juntos o ginásio na escola Winston Churchill.

FAVELAS DO BRASIL

O escritor francês Antoine de Saint-Exupèry dizia que em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos. Creio que são essas imagens ou viagens oníricas que alimentam a imaginação dos artistas, em quaisquer gêneros das artes.

O artista plástico brasileiro e potiguar Carlos Soares, que tem a incrível facilidade de brincar com as cores e inserir nelas as imagens ao olhar do espectador, constrói na geografia das ruas do Brasil e na realidade das moradias simples a sua própria paisagem em planícies de telas e paraísos cromáticos.

Retira da anarquia arquitetônica e da vida violável das favelas nacionais a conjunção de cores que transforma em arte o cimento coletivo da pobreza, deixando ao observador a imaginação sobre os silêncios humanos na paisagem interior. É o artista transferindo o seu olhar para o público.

Para o escritor Anatole France, outro francês, todas as nossas misérias verdadeiras são íntimas e causadas por nós mesmos. Ele discordava da visão de que estas viriam de fora, e afirmava que eram da nossa própria substância.

Pois quando Carlos Soares transporta para as telas a miséria das periferias, numa hemoptise de cores, é a sua substância clareando o que para muitos é secreto. Como disse o britânico Francis Bacon, todas as cores concordam no escuro.