BLOG DO ALEX MEDEIROS

10/05/2019
Os restos mortais do Pink Floyd

Falar de Pink Floyd é falar de uma banda que transformou a historia da música para sempre. É falar do grupo que gravou seu primeiro disco, "The Piper at the Gates of Dawn" (1967), ao mesmo tempo em que na vizinhança londrina, nos estúdios Abbey Road, os Beatles deram forma ao revolucionário álbum "Sgt. Peppers's Lonely Hearts Club". 

Pink Floyd é por excelência uma referência da psicodelia britânica, que daria um primeiro passo, posteriormente, ao rock sinfônico e progressivo. É a banda de um inigualável experimento sonoro, das letras de alto conteúdo filosófico e das capas de seus LPs que se tornaram ícônicas.

Poucas bandas de rock chegaram aos níveis de venda de discos. Considerado por muitos fãs de rock o álbum de cabeceira, "The Dark Side of the Moon" (1973), é o terceiro disco mais vendido da história da música e permaneceu mais de 17 anos nas listas de grandes sucessos.

Os profissionais das estatísticas estiman que em um de cada cinco lares britânicos tem este álbum e que, e nível mundial, uma de cada doze pessoas já tenha comprado, considerando as versões de vinil, disc laser e cd. As vendas na totalidade da discografia Pink Floyd superam hoje os 300 milhões de discos.

Por trás desta história de êxito se somam também muitas sombras e constrangimentos. No caso em tela isso teve nome e sobrenome: Syd Barrett, o gênio iluminado, primeiro líder da banda, a quem o destino acabaria encurralando devido so uso excessivo de drogas e à doença mental (uns falam de psicose, outros de esquizofrenia, mas segue sendo um mistério).

Em abril de 1968 Barrett abandonaria definitivamente a formação original. Chegaria a publicar dois discos solos e depois mergulhou em reclusão na casa materna de Cambridge, até sua  morte em 2006. Sem dúvida, o sentimento de culpa nunca abandonaria seus ex-companheiros, que lhe dedicariam outra de suas obras especiais: "Wish You Were Here" (1975) onde incluiram o assustador tema "Shine On You Crazy Diamond". 

Penetrar nesta história de luzes, sombras e psicodelia é possível agora graças à exposição "The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains" (Pink Floyd: Seus restos mortais), que já atraiu meio milhão de visitantes em Londres, superando a mostra de outro ícone, David Bowie, e está chegando em Madrid.

Os milhões de fãs pelo mundo, e nós também aqui no Brasil, aguardam com expectativa a viagem cronológica através de meio século de trajetória de uma banda mítica que inclui mais de 350 objetos e artefatos, como letras de músicas escritas à mão, instrumentos musicais, cartas, desenhos originais e elementos cênicos. Que os curadores de tão incrível exposição se lembrem de nós.