BLOG DO ALEX MEDEIROS

05/07/2019
Enfim, a terceira temporada

Para não generalizar num velho chavão com características de lato sensu, não direi que o mundo parou ontem na estreia da tão aguardada terceira temporada. Então afirmarei no aspecto stricto sensu que os EUA pararam mesmo no 4 de julho para a continuidade da série Stranger Things.

Particularmente, a ansiedade era tanta para ver o desenrolar das acontecências na cidadezinha de Hawkins que dei plantão na quarta-feira, achando que já era o dia do lançamento, até que meu filho caçula avisou que o dia certo era ontem, no feriado americano do Independence Day.

Aí, acordei pelas cinco da matina, fiquei estatelado na cama e iniciei um plantão diante da TV, sintonizado na Netflix, para, enfim, acompanhar a terceira e última temporada de uma das mais emblemáticas e instigantes tramas desses tempos de produções sci fictions dos serviços de streaming.

E então, sem máquina do tempo, sem condensador de fluxo, sem acelerador de partículas e sem conexões internéticas via redes de wifi, Stranger Things me mergulhou em conexões via walkie talkies, fugas em bicicletas e no ambiente analógico dos anos 80 em fins de guerra fria.

Peço mil perdões por vazamentos de spoilers - culpa desse futuro de hackers sem freios e sem contenção - ao falar de uma tela com sangue e vísceras espalhadas nos moldes dos velhos thrillers de horror. E há também os memoráveis romances de beijos adolescentes escondidos.

Qualquer verossimilhança ou premeditação na nova narrativa da série dos irmãos Matt e Ross Duffer não é mera coincidência. Pois a nova temporada em pleno Independence Day já abre o primeiro episódio com um cenário soviético de exagerada guerra fria.

O mundo de Ronald Reagan em cinemascope.
Entre as angústias maternas da enorme Winona Ryder e os temores policiais de David Harbour, além da maturidade improvisada dos adolescentes protagonistas, os oito capítulos finais de Stranger Things poder ser considerados um blockbuster de verão com oito horas de projeção, se o leitor optar pela maratona que eu encarei com prazer.

Se o fã da série não se perder na frenética busca de interpretar cada minuto da trama, já será de grande satisfação afundar num oceano de referências à década em tela, num show de nostalgia que estimula a dispensar levantar da cama para escovar os dentes, comer ou conferir as mensagens do whatsapp.

Entrar com os garotos na sessão de cinema que anuncia o lançamento de O Dia dos Mortos (clássico de George Andrews Romero, de 1985) é uma viagem a um ano fértil do terror que nos deu A Hora do Espanto, A Coisa, A Hora do Pesadelo, A Hora do Terror, A Volta dos Mortos Vivos e Força Sinistra.

Como a cumprir uma opção inicial dos diretores e produtores, as referências cinéfilas explodem a todo instantes, assim como uma trilha sonora que nos prende a 1985 para que sigamos unidos com os personagens na busca de cada um deles e, principalmente, numa definição sobre o mal que fez de Hawkins a representação das nossas aldeias na infância de suores, medos e fantasias.