BLOG DO ALEX MEDEIROS

11/07/2019
O século é de Billie

Billie Eilish. Anote esse nome. É uma garota de apenas 18 anos, americana com ar adolescente que entrará para a história da música como a primeira pop star do século XXI. Nasceu em Los Angeles, em dezembro de 2001, e está simplesmente reescrevendo o papel do songbook contemporâneo.

Billie uma cantora, compositora e musicista rebelde (também, com um nome desse de uma diva transgressora) que fez sua primeira música com 11 anos. Aos 16 chutou o pau da barraca dos candidatos a produtores e foi manufaturar seu talento na companhia de um irmão, um trabalho em família.

Hoje com a idade do iPod, ela é a essência pura do seu tempo, já considerada a primeira virtuose do terceiro milênio, compondo canções que falam desse cotidiano de instantaneização da loucura, de interação das angústias e sofreguidão pela acumulação. Ela canta sangue, morte e pesadelo.

Em 2016, ainda uma debutante e já independente do irmão Finneas que seguia uma carreira confortável, ela surpreendeu todo mundo com o single "Ocean Eyes", que caiu no gosto das tribos e logo viralizou nas redes sociais. A menininha mostrando o cartão de visitas de embaixadora do eletropop e indie.

Sobre a primeira composição, aos 11, é uma letra inspirada no badalado seriado Walking Dead, um universo de zumbis e violência, perfeito como espelho da garota malcriada que quer atirar sua raiva na cara do planeta, como um aviso de que só quer espaço para desenvolver sua forma de atuar.

Legítima representante da chamada geração X, Billie Eilish navega loucamente pelo rock, hip hop e até k-pop, sem se preocupar com o hit perfeitinho que por acaso seja imaginado por quem a olhe como a gatinha da cidade dos anjos. Um jornalista de lá viu nela uma releitura do Nirvana do fim século XX.

E tem mais, sua tenra juventude é desproporcional aos interesses de talentos experimentados; quando faz questão de afirmar não ter interesse que a toquem no rádio, que o que quer mesmo é ser curtida nos discos, ignorando a tese de que tanto o CD quanto a bolacha preta estariam obsoletos no século dela.

O sucesso estrondoso do primeiro single resultou numa disparada série de outros em 2017, contaminando a todos os fãs já enfeitiçados pela bruxinha má. Vieram "Bellyache", em fevereiro; "Bored", em março; "Watch" e "Copycal", em junho; e aí o pipoco com o EP de estreia "Don't Smile at Me", em agosto.

Fisicamente, ela se apresenta em diversos formatos, com cabelos loiros, pretos, ruivos, maquiagem carregada, suave, mezzo hard mezzo rock. Seus vídeos transmitem a conjuntura sonora do seu tempo, como trailers de séries de horror, de aventura, um mundo nerd, punk, geek. Anote esse nome. Billie Eilish.