BLOG DO ALEX MEDEIROS

25/09/2019
A patriarca do punk

Patti Smith lançou mais um livro. Quatro meses depois de lançar o álbum The Peyote Dance (a dança do cacto hospedeiro da mescalina), ela joga nas gôndolas físicas e virtuais o Year of the Monkey, (ano do macaco), título que remete ao nono signo do horóscopo chinês.

Não foi coincidência o lançamento em setembro, o nono mês do ano. Os jornais americanos estão dando o destaque que a grandeza da sua obra e do seu nome lendário merecem.

O diário The New York Times publicou: "Patti Smith é um original descolado, uma autêntica boêmia cujas pretensões à poesia foram ratificadas por seus sólidos instintos de rock ‘n' roll. Para ela, um grande artista deve ser um rebelde do romantismo, seja o poeta Arthur Rimbaud ou o roqueiro Jim Morrison".

A revista Variety diz em seu site que "Year of the Monkey é o seu livro mais amplo e estruturalmente mais divertido dos últimos três".

Lembrando os desejos literários da sua juventude, o jornal Washington Post a chamou de lenda acidental do rock e afirmou "finalmente se tornou a artista que ela sempre quis ser", mas evidentemente confirmando sua glória musical.

Patti Smith iniciou oficialmente a carreira no ano em que minha turma da Candelária botava a pedra fundamental da Esquina do Rock na Prudente de Morais despavimentada. Era 1975, mas só fui apresentado a ela em 1977.

Lançado no natal de 1975, o primeiro álbum "Horses" nunca chegou na nossa esquina. Somente dois anos depois li uma reportagem na revista Pop sobre um acidente com aquela garota magra, numa palidez cerâmica de modelo russa.

Durante a turnê do LP "Radio Ethiopia", ela pisou em falso e despencou do palco no show da Flórida, fraturando várias vértebras do pescoço. As fotos na revista mostravam que o punk rock ganhara sua sacerdotisa, sua banshee.

A moça de Chicago encarou caminhos tortuosos e muita bad trip até se afirmar, mesmo tendo que encarar o fato de ter menos notoriedade musical do que a banda que a servia. Mas a partir dos dois primeiros discos, a coisa virou.

A parceria artística e matrimonial com Robert Mapplethorpe, que apesar de homossexual foi moral e emocionalmente seu marido e maior conselheiro até morrer de aids em 1989, abriu as portas para ela se tornar um ícone do rock.

Aliás, ela revelou que o novo livro jamais existiria se não fosse por Mapplethorpe, que pediu no leito de morte para que ela contasse todos os devaneios que viveram. E a mortalidade está presente em todos os seus livros.

Passaram-se alguns anos após a leitura daquela edição da Pop quando eu adquiri o revolucionário LP "Horses", considerado a última etapa de uma epifania lisérgica iniciada por alguns dos discos mais impactantes do rock.

Tendo Velvet Underground de Lou Reed como epicentro e seguindo a onda sísmica com o Sgt. Peppers dos Beatles, o The Doors (da própria) e Are You Experience, de Jimi Hendrix, todos de 1967, o disco germinal de Patti Smith fechou um ciclo e abriu outro dando uma nova cara rebelde ao rock.