BLOG DO ALEX MEDEIROS

27/09/2019
Trump não é Nixon

Até agora, não há nenhum elemento concreto que ameace a continuidade de Donald Trump no comando da maior nação da Terra.

Todos os indicadores apontam para um fracasso retumbante da proposta de impeachment feita pela deputada Nancy Pelosi, presidente do Congresso e ardilosa raposa democrata.

Há também a sombra do passado no pedido de impeachment de Bill Clinton, que virou pelo avesso e culminou na renúncia do republicano Newt Gringrich.

Esta é a terceira vez que um presidente americano é colocado diante do risco de impedimento a partir de uma acusação formalizada no Congresso, desde o primeiro impeachment de Andrew Johnson no ano de 1868.

Como se sabe, na terceira vez Richard Nixon eliminou a acusação renunciando antes e depois do processo conhecido como Escândalo de Watergate. De fato, se tivesse resistido, Nixon teria sido realmente o primeiro presidente americano afastado.

Mas assim como nos outros dois casos Johnson e Clinton escaparam no Senado, o que deve ser o mesmo desfecho de Trump, quem sabe até mesmo antes disso. E convém lembrar a dificuldade de juntar dois terços dos votos.

A soma de democratas e independentes precisaria chegar a 19 votos no Senado para viabilizar uma condenação de Trump, coisa que nesse momento está bem longe do provável, porque as evidências de crime são fragilíssimas.

A acusação que provocou o pedido abraçado por Nancy - uma suposta pressão sobre o presidente da Ucrânia para investigar uma empresa de gás do filho de Joe Binder - parece estar perdendo a velha guerra da comunicação.

A parte da imprensa que faz oposição a Donald Trump é menos rumorosa do que a estrutura que o presidente montou nas redes sociais e na máquina do poder de Washington. Ele dominou as contas públicas e enfraqueceu a mídia.

Trump tem jogado bem o discurso de vítima para a plateia interna, a mesma que lhe deu a vitória assimilando seu discurso patriótico. Se mostra perseguido pelo progressismo radical e pela imprensa que não aceita suas reformas.

Por mais que as seis comissões do Congresso envolvidas na investigação assinalem serem favoráveis ao impeachment, os próprios líderes e analistas do Partido Democrata já reconhecem que são poucas as chances de sucesso.

Mas aí cabe uma pergunta: por que os democratas estão arriscando uma iniciativa assim, se já imaginam o fracasso? Talvez para ter inserido no discurso eleitoral futuro algum ato que sirva de argumento ao seu público.

A verdade verdadeira é que desde o governo Barack Obama e a derrota inesperada de Hilary Clinton, os democratas andam feito baratas tontas, sem nada razoável que lhes dê musculatura eleitoral para um novo confronto.

Como disse um comentarista da Fox News, o mesmo que comparou a menina Greta Thunberg às crianças diabólicas do filme Colheita Maldita, a oposição a Trump precisa mostrar que está viva, que sobreviveu à eleição passada.

A proposta de impeachment é só uma tática instrumental, uma máscara mortuária que tire do cadáver o aspecto de morte. A única oposição a Donald Trump ainda com balas na agulha é a imprensa tradicional, mas também com sinais de desfalecimento.