BLOG DO ALEX MEDEIROS

29/09/2019
Paolo Nutini é pop raiz

Quando há dez anos o mundo se impactou com a cantora Susan Boyle, diante da sua performance no programa televisivo Britain's Got Talent (Na Globo tem a cópia The Voice), eu permaneci impassível.

E imaginei que nada de mais incrível viria da música da Escócia depois do que eu experimentei com a banda Jethro Tull. Esse sentimento perdurou até meados de 2016, quando numa viagem ao Rio de Janeiro ouvi na loja Fnac a voz de um jovem escocês de 29 anos.

No ano seguinte ele passou pelo Brasil, com apresentação em São Paulo. Não vi, não ouvi e nem li barulho midiático na época. Provavelmente, alguns leitores aqui desse canto não souberam disso, outros sequer sabem quem é ele.

Seu nome é Paolo Nutini e seu talento interpretativo, além da presença de palco (vi trocentas vezes no YouTube), não merece qualquer trocadilho com um creme.

Não importa falar da genealogia do rapaz, e, sim, o sobrenome denuncia parentes italianos. Mas deixa só informar sobre as suas influências musicais: Beatles, Pink Floyd, Vam Morrison, Oasis e Fleetwood Mac. Precisa mais?

Especialmente para quem leu a crônica de ontem sobre o filme Perdidos na Noite, peço que dê uma acessada no YouTube e procure o garoto cantando Everybody's Talkin. Arrepiante. E faz o mesmo com What a Wonderful World.

Tem três álbuns, "These Streets" (2006), "Sunny Side Up" (2009) e "Caustic Love" (2014), onde bota sua assinatura de descendente mavioso dos melhores cantores de soul, mas dando de lambuja boas baladas e uma pegada de blues.

Paolo Nutini é um mergulho nos anos 1960, na melhor parte musical daqueles anos. Ouvi-lo é perceber a presença de Lennon, de Bob Dylan, de Marvin Gaye, de Nick Drake, de B. J. Thomas, de Jim Morrison. Ele hipnotiza a plateia.

Utiliza a música também como política de solidariedade. Uma vez ele foi a um show de Lewis Capaldi, que usava uma máscara do personagem Chewbacca, de Star Wars. Pouco depois, Noel Gallagher disse que ele é que se parecia.

Quando soube que Capaldi havia doado a máscara para um leilão beneficente, Nutini apareceu no evento e arrebatou, além de doar dez mil libras para uma entidade hospitalar de doença mental. Mas não é um novo Sting ou Bono Vox.

Some o vozeirão roqueiro e a postura de palco com a bela cozinha bem temperada por uma banda e um coral feminino, e temos um astro pop de raiz. Paolo Nutini tem bagagem musical e fôlego vocal para muitas e muitas horas de voo. Ocupem os ouvidos e boa viagem com o escocês.