BLOG DO ALEX MEDEIROS

08/10/2019
Messi na cola do Pelé

Pelé se despediu da Vila Belmiro há 45 anos, em 2 de outubro de 1974, após 18 anos ou 1.116 jogos vestindo o uniforme do Santos FC. A despedida definitiva seria três anos depois, em 1 de outubro de 1977, numa partida em Nova York onde atuou um tempo pelo time paulista e outro pelo Cosmos, o clube que acabara de defender como principal elemento de um projeto para popularizar o futebol nos EUA. Ali o rei marcou o seu único gol contra o peixe.

Ao encerrar seu reinado no Santos, Pelé deixou uma marca que até hoje nenhum outro jogador conseguiu superar. Nas estatísticas oficiais da FIFA estão registrados 643 gols pelo time da Vila, um feito que só correu risco de ser batido em meados dos anos 1970 quando o maior artilheiro do futebol alemão, Gerd Müller ainda atuava. O torpedo do Bayern de Munique fez 565 gols durante os 15 anos. Só venceu o rei no geral, pois chegou a 1.461 gols.

Mas quem pensava ser quase impossível aparecer outro craque que conseguisse se aproximar da marca história de Pelé, eis que Lionel Messi não só se aproximou como já começou a contagem regressiva para superar.

No último fim de semana, após mais uma vitória do Barcelona, o camisa 10 de Camp Nou marcou mais um e chegou a 604 gols vestindo a camisa azul grená, estando agora a 39 bolas do incrível número atingido pelo rei do futebol.

Para um jogador que nos últimos anos vem cravando uma média de mais de 40 gols por temporada, não será tão improvável que Messi ultrapasse Pelé até meados de maio do ano que vem, no encerramento do campeonato espanhol.

O desempenho do craque argentino no Barcelona mostra um fôlego impressionante em relação à conversão de gols, registrando dez temporadas seguidas com a marca de mais de 40 gols. Só um mito para igualar um rei.

Messi pode bater duas marcas de Pelé ao mesmo tempo. Não apenas o número de gols por um time, mas também o tempo levado para tal feito. Se o brasileiro levou dezoito anos, o argentino deverá fazê-lo em apenas quinze.

O fato não deve, de forma alguma, ser encarado como negativo para o rei. Afinal, ele nunca se manifestou com a mesquinharia de não desejar ter suas marcas igualadas. E esta é uma que ele aguarda há quase meio século.

O grande legado dos gênios do futebol é saber que seus descendentes mágicos seguirão repetindo seus atos maravilhosos. O próprio Pelé, quando jovem, se orgulhou ao realizar em maior dimensão as jogadas de Zizinho.

Também os súditos do rei não têm que reclamar da quebra de um recorde que já dura 45 anos. Por mais que 40 gols numa temporada não sejam fáceis, todos sabemos que isso é relativo quando no contexto se insere Lionel Messi.

Para chegar no no topo da artilharia da história dos clubes, Messi marcou 420 gols na Liga Espanhola, 112 na Champions League, 51 na Copa do Rei, 13 na Supercopa da Espanha, 5 no Mundial de Clubes e 3 na Supercopa da Europa.