BLOG DO ALEX MEDEIROS

30/10/2019
O Drácula está chegando

Uma minissérie produzida na parceria do canal inglês BBC e o serviço de streaming Netflix vai contar a história de um dos personagens mais emblemáticos do gênero terror, o Drácula, criado em 1897 pelo escritor irlandês Bram Stoker.

Em termos literários, o vampiro divide com o monstro de Frankenstein - obra seminal da escritora inglesa Mary Shelley, lançada em Londres, 1818 - a popularidade do estilo terror gótico no século XIX.

No primeiro trailer divulgado ontem pelos produtores, a cena clássica da viagem do Drácula para Londres, onde irá dar início aos ataques que provocarão na ficção o mesmo pânico que a capital britânica sofreu na vida real uma década antes do livro com os assassinatos misteriosos do eternamente desconhecido Jack o Estripador.

Não demorou e duas décadas depois, já no século XX, a obra ganhou notoriedade cinematográfica com o ator Bela Lugosi.

Tudo bem que houve antes do ator húngaro a figura do vampiro Nosferatu, primeira adaptação do livro de Stoker para a sétima arte, em 1922. Mas a popularidade veio mesmo nos anos 50 com os filmes do ator Christopher Lee.

Foi com Lee que a minha geração se deparou pra valer com os sustos e arrepios das imagens do vampiro romeno. E já em 1977, a BBC realizou um grandioso filme do Conde Drácula e nos apresentou o caçador Van Helsing.

No entanto, nós, os garotos prestes a sair da adolescência, já contando os dias pra se livrar do alistamento militar, tínhamos mais intimidade com o Drácula dos quadrinhos. E aí o nosso RN tem capítulos importantes no personagem.

Sim, porque as revistinhas do título Kripta, a histórica publicação com histórias de terror, da editora Rio Gráfica, e anos depois a Drácula, da editora Bloch, traziam em suas capas os desenhos do talentoso potiguar Evaldo Oliveira.

A partir de 1976, quando saiu a Kripta em 60 edições até hoje cultuadas, e nos anos 80 com Drácula em formatinho na Bloch, o traço de Evaldo estava lá, como desde os anos 60 com Flash Gordon, Cavaleiro Negro e Recruta Zero.

O Rio Grande do Norte, com Natal como cidade de ressonância nas outras, nunca entendeu a dimensão de Evaldo na história dos quadrinhos nacionais em plena era de prata - ou mesmo no princípio da era de bronze, depois.

Evaldo Oliveira coloriu a imaginação de gerações desenhando personagens que consolidaram a indústria da nona arte no Brasil. Ninguém foi maior que ele com o Recruta Zero, a obra imortal do cartunista americano Mort Walker.

Suas capas enriquecem meu acervo, com o Fantasma, Flecha Ligeira, Mandrake, Brucutu, Águia Negra, Arizona Kid, Príncipe Valente, Flash Gordon, Riquinho, Bolota, Texas Kid, Buffalo Bill, Capitão Marvel e o Drácula, que está voltando com a BBC e a Netflix.