BLOG DO ALEX MEDEIROS

07/11/2019
Nas curvas do tempo

O serviço de streaming Old Flix, empresa genuinamente potiguar e que faz sucesso no Brasil e já com usuários na vizinhança e em Portugal, acaba de disponibilizar no seu acervo de mais de cinco mil filmes e seriados o clássico desenho de animê Speed Racer, criado em 1967 no Japão e que estreou na televisão brasileira há 50 anos, exatamente em 1969 na telinha da TV Globo, como parte dos programas infanto-juvenil Capitão Furacão e Zás Trás.

Speed Racer é o título dado nos EUA e que se espalhou pelo Ocidente. O animê foi oriundo dos mangás (os quadrinhos japoneses) e tem nome original Mach Go Go Go, por isso as letras M e G no capacete e na camisa respectivamente. Foi o segundo produto da TV do Japão a ser exibido na TV do Brasil, na sequência de National Kid, que aqui estreou em 1964 na TV Record e apenas os brasileiros - além dos nipônicos - curtiam a aventura.

As gerações dos anos 80 e 90, acostumadas com os filmes e desenhos de Jaspion, Cavaleiros do Zodíaco, Pokemon, Dragon Ball e outros, nem imaginam que a invasão japonesa começou nos anos 60, há exatos 55 anos.

A Oldflix disponibilizou para os assinantes saudosistas, fãs do desenho, hoje na faixa dos cinquenta e sessenta anos, toda a primeira temporada. Para quem ainda não assina, pode fazê-lo pelo site www.oldflix.com.br, por R$ 12,90.

Natal é atualmente uma das capitais do Nordeste com o maior contingente de adeptos das produções japonesas, um fato que pode ser constatado nos diversos eventos voltados para os mangás, animês e souvenires dos produtos.

Há mais de dez anos, percebi o consumo incrível dos jovens natalenses com a cultura japonesa e também a sul-coreana. Desde então, observo o absoluto sucesso de público nos eventos, onde as filas de cosplays são gigantescas.

Para quem tiver interesse em conhecer toda a movimentada história dos animês na televisão do Brasil e o sucesso dos mangás, há dois bons livros disponíveis para venda em sites como o Estante Virtual e o Mercado Livre.

Em "A Presença do Animê na TV Brasileira", a autora paulista Sandra Monte expõe o resultado de uma grande pesquisa e um profundo estudo jornalístico sobre o assunto, do início em 1964 e da explosão a partir dos anos 80 e 90.

O outro é "Produções Televisivas Nipônicas no Brasil: dos Animês aos Dramas de TV", fruto de um bom trabalho acadêmico de Mayara Araújo, jornalista carioca e que não deve ser confundida com a homônima bailarina do Faustão.

Speed Racer não fez sucesso nacional na época da Globo, até que em 1975 começou a passar na TV Tupi dentro da audiência do programa Clube do Capitão Aza. Na década seguinte, em 1981, passou para a tela da TV Record.

O nome original Mach Go Go Go confundia o Ocidente com o título americano. Na Argentina, a letra M do capacete fez com que a tv hermana batizasse de Capitão Meteoro.

Lá nas Quintas, diante das imagens em preto e branco, eu fantasiava o desenho com as corridas de F1, e aquele M pra mim era Medeiros.