BLOG DO ALEX MEDEIROS

29/11/2019
O martírio da Supergil

A atriz americana Melissa Benoist conquistou mais dimensão profissional depois que encarnou uma das mais poderosas personagens das histórias em quadrinhos, a Supergirl, uma prima do Superman que chegou na Terra em 1959, vinte e um ano depois dele, apesar de ter sido enviada na mesma época que ele, quando o planeta Krypton explodiu. No Brasil, ganhou revistinha própria em 1968, editada pela Ebal - Editora Brasil América, de Adolf Aizen.

Na atual série em que Melissa interpreta a heroína, muitas foram as dores e as feridas nos embates com outros seres dotados também de poderes tão ou quase incríveis como os dela. Por mais que tenha as mesmas qualidades do primo de aço, a Supergirl já experimentou ataques que a fizeram duvidar da invulnerabilidade que os kriptonianos adquirem vivendo num planeta que recebe luz e calor de um sol amarelo. A moça até já desmaiou e sangrou.

Porém, na quarta-feira, a atriz surpreendeu os fãs da personagem revelando uma dor que a acompanha há algum tempo; se disse uma sobrevivente da violência doméstica que atinge milhões de mulheres em todo o nosso planeta.

Ela postou um vídeo de longos 14 minutos na sua página do Instagram, dividindo com os seguidores o sentimento de angústia e fraqueza diante de um namoro que em pouco tempo saltou da paixão para a invasão de privacidade.

Disse que o relacionamento se transformou num trem de carga descontrolado, coisa que para a Supergirl jamais significou ameaça ou obstáculo. O cara virou uma bomba de ciúmes, um carrasco a tentar impedi-la até de trabalhar.

Tomou um tapa no rosto que doeu muito mais que os sopapos dos maiores vilões nos combates da sua personagem. Como muitas vítimas do machismo, ela revelou que escondeu o fato com medo de provocar mais ira no agressor.

Quem diria que um dia a Supergil seria frágil diante de um surtado mortal? Ela que já superou mais de uma vez até a própria morte, quando em 1969 ficou em pânico ao perceber-se um espírito assistindo a cerimônia do próprio velório.

Meses antes já havia tido um susto imenso ao perder seus poderes e ser levada por Superman para o laboratório da Fortaleza da Solidão, onde os super equipamentos clínicos e os potentes computadores conseguiram salvá-la.

Ela morreria outra vez em 1985, numa aventura épica que até hoje repercute entre os amantes da nona arte. Na saga Crise nas Infinitas Terras, comoveu a todos a imagem do Superman carregando o corpo inerte da prima nos braços.

O depoimento estarrecedor de Melissa serve para traçar um paralelo com a vida fictícia de Kara Zor-El (o nome original da Supergirl). As dores e humilhações da violência doméstica são maiores que o mal de qualquer vilão.

E olhe que a Supergirl passou por algumas relações amorosas complicadas, como em 1970, quando casou com Tor-An, um kriptoniano que fugiu da Zona Fantasma e conquistou seu coração apenas para se vingar do Superman.

No ano seguinte, em outra revista, chegou a noivar com um criminoso que havia participado da explosão que destruiu seu planeta; e em 1973 se viu envolvida com um malfeitor que se apaixonou por ela e lhe deu muito trabalho.

As imagens da Supergirl sangrando numa historinha de 2015 e num episódio do atual seriado, quando o vilão Metallo dispara do peito raios de kriptonita verde, não machucam tanto quanto ver a atriz com uma ferida aberta na alma.