BLOG DO ALEX MEDEIROS

13/12/2019
De volta ao ano zero

A arqueologia mundial está festejando duas descobertas extraordinárias neste final de 2019. Primeiro foi em outubro, quando um grupo de pesquisadores encontrou nas águas do Mar Egeu novos tesouros no navio do que foi chamado "Mecanismo de Anticítera" (alusão a uma ilha ao sul da Grécia), que é um dispositivo astronômico descoberto em 1901 e que era usado há 2.200 atrás para calcular eclipses, fases da Lua e posições de estrelas no Cosmo.

Quase dois meses depois, especialistas em arqueologia subaquática usaram novas tecnologias para coletar destroços de um naufrágio romano chamado Fiskardo, datado dos primeiros anos da era de Cristo, e descobrir um incrível acervo de 6.000 ânforas (vasos antigos ao estilo dos originários do neolítico) que estão em boas condições. O achado foi noticiado em artigo do Journal of Archeological Science, renomada publicação científica da Inglaterra.

O naufrágio em questão foi localizado próximo ao porto da cidade de mesmo nome na ilha de Kefalônia, no Mar Jônico. Foi achada uma série de casas, um conjunto de banheiros públicos, um teatro, um cemitério e a embarcação.

Os especialistas envolvidos na missão calculam que tudo remonta ao período do ano 146 aC e 330 dC, indicando também que o lugar era uma parada importante nas rotas comerciais marítimas da era romana.

O navio poderá ser estudado usando um sonar e as imagens do fundo do mar, e espera-se que em pesquisas futuras ele seja todo avaliado e o resto da carga seja encontrada, indicando que deve estar em profundidade por ali mesmo.

Um dos cientistas afirmou que parte da carga achada está meio enterrada no sedimento, o que dá grandes expectativas de que em novos estudos seja encontrada a parte ou o todo do casco de madeira da velha embarcação.

Por enquanto, não se sabe se esse naufrágio será mantido e quando será estudado, mas o tipo de ânfora registrado nas imagens obtidas era para transportar azeitonas, vinho, óleo e diferentes tipos de cereais.

Sabe-se também que a maioria dos navios que transportavam mercadorias entre o século I a.C e 2 d.C também faziam passeios com paradas freqüentes nos portos do Mediterrâneo, indo ao porto de Ostia, na foz do rio Tibre.

Os clientes pagavam pela seção de transporte de que precisavam e geralmente eram vários meses de viagem. O naufrágio mais conhecido da era romana nas águas gregas é exatamente o de Anticítera, a ilha do Mar Egeu.

Descoberto em 1901, foi o capitão Jacques Yves Cousteau e sua equipe que resgataram quase 300 objetos em 1976. Foram estátuas de bronze e mármore, joias de ouro, objetos de cerâmica, moedas de prata e bronze e outros.

Entre os resgatados, um objeto, conhecido como Mecanismo Anticítera, que depois de ser estudado em detalhes, foi considerado o primeiro computador do mundo (que além do já citado, servia até para organizar os jogos olímpicos).

Tudo isso está no Museu Arqueológico Nacional de Atenas e os especialistas continuam investigando os destroços. Considera-se que algumas das muitas estátuas do naufrágio poderiam ser encomendadas por Cícero no ano 67 a.C.

Sabe-se disso porque o orador e político, que era uma pessoa rica, encomendara em carta ao seu agente Titus Pomponius Atticus que ele adquirisse estátuas nas oficinas da cidade grega de Megara.

E também as "hermas" (pilares quadrados com um busto no topo, geralmente do deus Hermes, que eram usados para marcar propriedades e trazer sorte, e outros objetos para a biblioteca e a colunata de uma de suas residências.