BLOG DO ALEX MEDEIROS

29/01/2020
Nossos tataranetos astronautas

O escritor suíço e pesquisador de pseudociência Erich von Däniken publicou em 1968 o livro "Eram os Deuses Astronautas?", que se tornou um clássico de sci fiction e até hoje é sucesso de vendas.

Quando eu iniciei o ginásio, em 1972, uma edição apareceu lá em casa, trazida por meu mano por empréstimo ou comprada na pequena livraria O Templário, ponto de encontro de roqueiros, esotéricos e hippies que coloriam a estamparia humana do Grande Ponto, em Natal.

Eu já era ligado em aventuras de viagens no tempo, tanto nas aventuras dos super-heróis dos quadrinhos quanto nas séries da TV, como Túnel do Tempo, Perdidos no Espaço e Quinta Dimensão.

Então a obra de Däniken virou leitura obrigatória; era prazeroso gazear aulas para folheá-lo sentado nas calçadas do colégio ou do Banco do Brasil, ali na Rio Branco. O livro produzia altos papos sobre visitantes das estrelas e de pilotos de aviões oriundos do nosso futuro.

Os anos passaram e o tema sempre esteve em evidência, envolvendo até mesmo grandes e renomados cientistas. Muitos livros, revistas e filmes foram produzidos sobre viagem no tempo; e são inúmeros os programas de TV.

Nesse tempo todo, gente de todas as idades e nacionalidades narra avistamentos de objetos voadores, e só aumentam as narrativas sobre contatos imediatos que os governos e militares teimam em esconder do povo.

E também cresceu a tese de que os prováveis extraterrestres a bordo de tais naves podem ser na verdade homens do futuro se deslocando no tempo com algum objetivo científico ou simplesmente gozando de um lazer da sua época.

No caso mais famoso de suposta visita interestelar, na cidade americana de Roswell, em 1947, o oficial da Marinha chamado George Hoover revelou anos depois que os viajantes capturados ali eram apenas humanos extratemporais.

O tema está voltando à mídia com o lançamento do livro "Eles Somos Nós no Futuro", do professor Michael Masters, da Universidade de Tecnologia de Montana, EUA. Diferente do velho Däniken, ele não é um pseudocientista.

Além de ser um pesquisador sobre fenômenos ufos, Masters também é professor de antropologia. Ele acredita que com a velocidade dos avanços científicos, é possível que nossos descendentes se desloquem no tempo.

Nem a tese de Stephen Hawking o faz desconsiderar suas suspeitas. Antes de morrer, o inglês disse que "a melhor prova de que a viagem no tempo é impossível é que não somos invadidos por uma legião de turistas do futuro".

Masters diz que os viajantes tanto podem ser cientistas, historiadores ou linguistas colhendo informações sobre o passado deles, ou turistas ricos curiosos de testemunhar os períodos favoritos da história da humanidade.

O autor declarou que o livro não foi escrito para convencer ninguém de uma pretensa tese, mas apenas estimular uma nova discussão a partir de outra abordagem que possa servir para as conclusões dos crentes e dos céticos.

"Adotei uma abordagem multidisciplinar para tentar entender as esquisitices do fenômeno. Algo está acontecendo aqui, e devemos conversar sobre isso. Temos que estar na vanguarda quando se trata de descobrir o que é", disse.

Para ele, a possibilidade de que os visitantes sejam nós mesmos é de longe a mais plausível. "Sabemos que estamos aqui, que os humanos existem, e sabemos que nossa tecnologia será mais avançada no futuro", concluiu.

Numa das vezes em que minha turma papeava sobre ficção na calçada do colégio Winston Churchill, eu brinquei com uma colega chamada Solimar, que olhou para um cara bonitão: "cuidado, ele pode ser seu tataraneto piloto".